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Diário de vaiagem por África: Yaunde

Momentos indecisos foram esses em Yaunde, o carro estava a obviamente a desfazer-se. Com a caixa de velocidades a ser o maior dos problemas. Fui falar com os mecânicos da esquina, a pessoa encarregada nunca tinha aberto uma caixa de velocidades. Não tínhamos solução, ou tentávamos ou deixávamos o carro para trás. Fui falar com o mecânico mais uma vez, disse-lhe que tinha o livro do carro, onde mostrava a posição dos componentes, que talvez entre os dois pudéssemos arranjá-lo.

Assim começou um dos momentos mecânicos mais extraordinários de toda a minha vida. Primeiro tive de utilizar as minhas ferramentas, que eram muito poucas, mas mesmo assim eram mais do que eles tinham. Para os parafusos que não tínhamos chaves, utilizava-se o martelo e uma chaves de fendas, batendo no parafuso até este se abrir. Foi necessário um dia de trabalho para somente abrir a caixa de velocidades. No segundo dia começou o verdadeiro perigo. Repito, ninguém presente tinha visto uma caixa de velocidades aberta.

Tentei o melhor que pude, identificar todas as peças e a sua posição através do livro. Quase no final do segundo dia, concluímos que, apenas uma pequena argola com cerca de um milímetro de espessura estava partida. Tudo o resto parecia estar no local certo e em condições. Corri todos os ferro velhos daquela cidade em busca da tal argola e encontrei-a. Não era o tamanho exacto mas com uns apertões e umas marteladas foi ao sítio.

No terceiro dia começámos a meter tudo no sítio. Voltámos a meter a caixa no carro, mas, não, não há mas, o carro por incrível que pareça estava a trabalhar como novo. Eu e a Annemiek estávamos admirados, mas os mecânicos estavam estupefactos. Acho que eles acreditavam menos que nós no sucesso daquela reparação.

Agora, com o maior dos problemas resolvidos, pedimos para que eles nos arranjassem as amolgadelas do carro. Quando digo amolgadelas estou a ser muito simpático. Mais parecia que um camião nos tinha batido a alta velocidade. Mas isso são detalhes. No primeiro dia, depois de cinco horas de trabalho, pensei para mim mesmo: “isto nunca vai voltar a ter a mesma forma”. Eles tinham simplesmente cortado a parte esquerda do carro, mostrando o seu esqueleto. Que não é a parte mais atraente dum carro como podem imaginar. Em especial se o carro é o teu.

O mesmo martelo que tinha sido utilizado para abrir os parafusos, agora estava a ser utilizado para endireitar a chapa. Quando eles se cansaram de martelar, voltaram a soldar a parte esquerda mais ao menos no mesmo sítio onde estava antes. Detalhes. Betumaram e pintaram.

Pelo arranjo da caixa de velocidades, oitenta dólares, pelo arranjo da parte esquerda, oitenta dólares. Farol do lado esquerdo, doze dólares, o vidro de trás foi trocado por uma madeira e pintada de preto. Até parecia que era novo.

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